domingo, 1 de junho de 2008

Inovações no jornalismo


Na era tecnológica em que vivemos, diversos aparelhos que antes nem conseguíamos imaginar a existência, hoje não saímos de casa sem eles. Seja um pen-drive, MP3 player, MP4, Ipod, além do celular.
A inovação no jornalismo não se resume em aparelhos eletrônicos. A inovação no jornalismo, quando ela acontece, acontece onde pode florescer a autonomia do cidadão, a formação livre de opinião e vontade, ali por onde afloram as idéias capazes de indagar sobre o que ainda não existe. Se há lugar para o pensamento, para além das grades da tecnologia, aí o jornalismo também terá lugar.
Do ponto de vista da imprensa, maquininhas não inovam necessariamente. A inovação está nas mudanças que permitem aos cidadãos atingir níveis mais altos de emancipação e de informação, mudanças que gerem inclusão social e política nos públicos ativos, dotados de iniciativa – estas, sim, podem estar associadas a progressos no jornalismo.

Propaganda desleal


É cada vez mais comum encontrar em alguns diários posts pagos por empresas. Uma forma desleal de fazer propagando. Quanto maior a visibilidade de um blog, maior o Jabá. Apesar de ilegal - o Código de Defesa do Consumidor prevê que a publicidade deve ser facilmente identificada como tal – blogueiros famosos vendem produtos e serviços de forma maquiada.

Mas não são apenas os blogs que estão infestados com posts pagos, sites de informação também servem de vitrine para produtos e serviços. Uma nova forma de fazer propaganda, tudo muito bonito, só falta mesmo o leitor ser informado disso. Veja exemplo na PC Mag.

Pensando nisso, a Google anunciou que penalizará posts pagos em blogs se eles não forem identificados com a tag rel=“no follow”, dessa forma os posts não aparecem nos motores de busca. Quem sabe dessa forma esse tipo de prática pare de infestar a rede, pois se leva cada vez mais tempo para encontrar posts com informações de qualidade.

Crossmedia na imprensa brasileira


A internet abriu novos caminhos para os profissionais da comunicação. Os novos recursos disponibilizados pela rede garantem aos leitores experiências únicas. Os leitores podem ler sobre uma investigação da policia federal e baixar um arquivo para ouvir na integra os grampos telefônicos citados na matéria. A revista Época na edição de 22 de maio de 1998 produziu a capa “Leia e Ouça o Grampo”, exemplo da integração perfeita entre as diversas mídias utilizadas na comunicação (crossmedia). Veja um exemplo em uma matéria postada no portal G1.

Hoje, dez anos depois, aumentou o acesso das pessoas à rede, e uma internet mais participativa surgiu. Internautas podem enviar fotos e vídeos para sites de notícias quase em tempo real. O site http://www.bbc.com/ foi um dos pioneiros na integração das mídias, para participar basta enviar e-mails ou mensagens de texto/áudio/vídeo por celular. O Limão é o exemplo brazuca bem sucedido de crossmedia e internet participativa. Está todo mundo espremendo e bebendo do fruto repleto de vitamina C. As páginas do portal estão repletas de noticias recheadas com arquivos de áudio e vídeo.

Para fazer jornalismo não basta saber apurar e escrever. Apesar de estas permanecerem as habilidades fundamentais para todo jornalista, a criatividade somada a manipulação de editores de áudio e vídeo são a chave para conquistar leitores, cada vez mais exigentes e com cada vez menos tempo para se informar.

Após mudanças na lei eleitoral, blogs, orkut e MySpace estão liberados para a campanha eleitoral


Para aqueles que estavam ansiosos com a chegada das eleições e viam na mídia digital uma ferramenta fundamental e eficaz para campanha eleitoral, uma boa notícia. Está liberado o uso de blogs e outras ferramentas digitais, como o orkut, blogs, MySpace, entre outros.

A decisão saiu esta semana e promete dar novos ares à campanha eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ampliou as possibilidades de atuação no meio digital. Antes era obrigatório o uso de “can.br”, no site do candidato, agora vale tudo.

Ficam proibidas mensagens de torpedos enviados à eleitores que não foram solicitadas solicitados, bem como por e-mail, telemarketing e correio de voz.

Embora apenas 10% da população brasileira possua acesso à Internet e à suas ferramentas, está ai uma boa notícia que possibilita uma força extra no certame eleitoral.

Mudança na Reuters e no The New York Times prometem transformações em efeito cascata


Após a agência de notícias Reuters liberar o acesso a sua API, agora é a vez do jornal The New York Times. A empresa jornalística anunciou esta semana que deve liberar ainda este ano. A API é como se fosse uma espécie de “receita e instruções” do site. Com o acesso a ela, será possível criar qualquer ferramenta, serviço, gadget que tenha como base o conteúdo do jornal. Ou ainda cruzar livremente as notícias da publicação com outros dados e informações.


A mudança fará com que o NY deixe de ser apenas um periódico, transformando-se em uma plataforma de conteúdo. As mudanças nas duas empresas prometem novos contornos pelo mundo na comunicação e também no mercado brasileiro. O objetivo das duas empresas é ganhar maior distribuição e também aumentar a audiência na internet.

A mudança vem em meio a uma realidade da produção de notícias com uma mobilidade cada vez mais dinâmica, onde qualquer pessoa seja ela jornalista ou não poderão propagar informações para parcela ampliada da sociedade.

Exemplos nesta linha em termos de publicação de conteúdo, mas com sites e não com jornais demonstram ser uma opção saudável para a captação e divulgação de informações relevantes. E diferentemente do que muitos colegas jornalistas pensam não afeta nossa profissão, de modo a restringir as opções de emprego no mercado de trabalho. Pelo contrário, é uma ferramenta que temos que usar de modo a tirar proveito e assimilar com uma visão inovadora, buscando novos contornos e possibilidades e sobretudo novos olhares sobre a realidade contemporânea que nos é incumbido captar.