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segunda-feira, 23 de junho de 2008

Copyleft inova produção jornalística







Copyleft, pelo bem e para o bem comum

O artista cria e o jornalista escreve geralmente, ainda que
para si, pelo bem comum. Caso contrário não publicaria. O jornalista informa, o artista faz a arte não para fazer daquele momento, fato ou criação algo que seja somente dele. O Copyleft, uma alusão satírica ao termo inglês Copright (direitos da copia/ reservados) contrapõe um dos temas talvez mais polêmicos da atualidade: a propriedade intelectual.
Para Pablo Ortellado, em geral, a propriedade é justificada como uma garantia de uso e disposição do proprietário àquilo que lhe é de direito (por herança ou por trabalho). Para o dicionário Priberam aquilo que é pertença legítima de alguém ou sobre que alguém tem direito pleno. Ainda de acordo com Ortellado, uma casa é propriedade de alguém e não é possível que ao mesmo tempo em que A se utiliza dela, B também o faça de maneira totalizada. O fato de A usar a casa automaticamente inibe a utilização dela por B. Com um livro é diferente, uma vez que A e B podem se utilizar dele, (não o mesmo simultaneamente) e passá-lo depois para C, D, E, etc.
O fato de alguém poder fazer uma cópia do livro e fazer com que ele chegue a um número maior de pessoas não afeta o autor da obra, pelo contrário, difunde a obra e torna a natureza do livro (ser lido) incontestável.
No âmbito jornalístico, onde o princípio é, por intermédio dos veículos, manter as pessoas informadas acerca de um fato, esta novidade seria muito bem inserida. Enquanto o “caso Isabella” era incessantemente vomitado nas casas das pessoas por todos os meios de informação, era fácil notar que todo domingo o Fantástico aparecia com uma novidade exclusiva, e com ela trazia às pessoas o que elas queriam ver/saber. Mas se a Globo obtivesse estas tais informações e difundisse as mesmas com outros meios de comunicação, elas chegariam a um maior número de casas e mais pessoas lhe receberiam. Sendo, as organizações Marinho uma grande corporação, fica notório a intenção da emissora. A globo tinha em determinado momento, um vídeo com uma entrevista com o casal Nardoni e lá havia o símbolo da emissora. Logo se outra emissora quisesse usar a entrevista, deveria pagar os direitos de imagem que foram dados à Rede Globo, isto é, houve um direito reservado de uma informação/fato que eram importante(aqui sem juízo de valor) para todos e não apenas aos que assistem aquele canal de TV especificamente. Por razões como estas é que surgiu o Copyleft.
Esta é uma novidade que pode e deve ser inserida no mercado jornalístico como forma de um jornalismo cidadão, onde a informação não tem um dono (na verdade ele não é ignorado) mas onde todos são donos e podem ampliá-la e torná-la assim, mais completa e mais democrática.
Não apenas inovador, o copyleft permite que todos participem ativamente da construção de uma sociedade mais informada, mais inteligente. Este deveria ser o exemplo do jornalismo. Uma profissão em que o coletivo fosse beneficiado pelo bem coletivo e não por uma mera preocupação pessoal de empresas que querem o lucro, o prestígio de ser a única a deter aquela determinada informação.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Copyleft possibilita cultura livre

Em meio a um cenário virtual em constante ascensão, as ferramentas proporcionadas pela internet vão ao encontro das necessidades do jornalista contemporâneo, que sempre está em busca de velocidade e, não obstante, veracidade. O copyleft, por sua vez, inerente à democratização da informação, surgiu como uma fonte livre e de domínio público, sem impor restrições à utilização do conteúdo procurado.
Nada mais justo ou, até mesmo, prático, do que utilizar este mecanismo na hora de produzir uma

Free culture promove acesso livre a softwares, por meio de inovações virtuais

reportagem, uma vez que, diante da rapidez dos fatos e de como um veículo de comunicação opera no cotidiano, o copyleft pode ser uma ferramenta compatível durante o exercício de atividades jornalísticas, que exigem cada vez mais agilidade na elaboração dos textos e matérias em geral, sejam frias, sejam
hard news.
Do mesmo modo que a notícia deve atender ao interesse público, o copyleft caminha no mesmo sentido de informar, porém, sem a garantia de uma fonte segura. A informação, nesse caso, é apresentada de acordo com o conhecimento popular, tendo o direito absoluto de interferir em obras de propriedade intelectual, modificando e difundindo, livremente, em um processo continuado de infinitas possibilidades e inserções.

História

Richard Matthew Stallman é o fundador do movimento free software, do projeto GNU e da Free Software Foundation (FSF). Programador, sua mais conhecidas façanhas no mundo cibernético incluem Emacs (e o GNU Emacs, mais tarde), o GNU C Compiler e o GNU Debugger. É também autor da GNU General Public License (GNU GPL ou GPL), a licença livre mais usada no mundo, que consolidou o conceito de copyleft.
Desde a metade dos anos 1990, Stallman dedica a maior parte do tempo ao ativismo político, defendendo o software livre e lutando contra a patente de softwares e a expansão da lei de copyright. O tempo que ainda devota à programação é gasto no GNU Emacs. Ele se sustenta com aproximadamente a metade do que recebe por suas palestras.
Em 1971, ainda calouro na Universidade Harvard - onde se graduou em Física, em 1974 – Stallman era programador do laboratório de IA do MIT (Instituto Tecnológico de Massachusetts) e se tornou um líder na comunidade hacker. Em
entrevista concedida ao site Kernel Trap, em 2005, o programador declarou: “Estou orgulhoso de termos construído uma comunidade, onde as pessoas podem usar computadores e trabalharem juntas em liberdade”.
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Informações sobre cultura livre podem ser obtidas no site
http://freeculture.org/

Copyleft: Instrumento de formação














Circulação de conhecimento é o propósito do Copyleft


As discussões sobre direitos autorais é antiga, mas nas duas últimas décadas tem se acentuado, principalmente, no campo dos programas livres para computadores. O tema ainda gera muitas divisões, sendo margeada por muito desconhecimento de parcela ampliada da sociedade, sendo na maioria das vezes associada à interesses da indústria cultural e cinematográfica.

O termo Copyleft vem de all rights reversed, isto é, esquerdos autorais (todos os direitos invertidos), em contraposição ao Copyright (direitos autorais - todos os direitos reservados). A terminologia Copyleft veio de uma carta de um amigo de Richard Stallman.

Uma das manifestações de destaques do movimento pelo copyleft, foi na década de 1980, quando o programador Richard Stallman, que atuava no laboratório de inteligência artificial do MIT, nos Estados Unidos deixou o emprego. O motivo de sua saída era por se sentir constrangido com as restrições de direitos autorais que impediam o acesso ao código de fontes dos programas com a desculpa de impedir cópias ilegais.

Com isso, Stallman começou um movimento de produção de programas livres, que preservassem a liberdade de execução dos programas sem restrições, a liberdade de modificar e conhecer, redistribuir no jeito original ou mudado para amigos e comunidade.

Esse movimento resultou logo depois na criação do sistema operacional GNU, que ainda mais tarde depois de Linus Torvalds ter desenvolvido o kernel ficou conhecido como Linux.

O Copyleft se expandiu para outras áreas como literatura, cinema, ciência, artística e jornalística pela livre circulação da cultura e do saber.

Segundo a concepção de Stallman, Copyleft significa ser um programa com liberdade de execução, cópia, distribuição, estudo, modificações e aperfeiçoamentos. Além disso, exige que as versões modificadas também sejam livres.

Para o historiador Thomas Babington Macaulay, o sistema de direitos tem vantagens e desvantagens. Segundo ele, a propriedade intelectual como direito exclusivo cria um monopólio, encarecendo o produto e tornando-o menos acessível à sociedade.

Em outro ponto de vista, Macaulay vê a importância do mesmo como instrumento de compensação financeira ao progenitor da obra. O Copyleft se propõe a disponibilizar a contribuição de cada um para a formação de novas gerações.

Richard Stallman, que deixou o cargo de programador, mostra ser possível uma vida sem direitos autorais.

Para muitos autores, o que de fato importa é a obra ser lida pelo maior número de leitores, pois o copyright por um lado limita para um número reduzido de pessoas, diferentemente do copyleft que possibilita a projeção da obra para grande número de leitores e também facilita, em muitos casos, até a tradução de obras sem a necessidade de pagamento de direitos autorais, facilitando a propagação e difusão do conhecimento, rompendo barreiras geográficas e culturais.

A idéia principal do copyleft é de que o conhecimento vem de outros anteriores, ou seja, um copia o outro. Deste modo, o conhecimento não pertence integralmente a ninguém e que a função principal da geração do conhecimento, visa melhorar a sociedade, de modo, que rompa com interesses mercantis, pondo a liberdade de informação com supremacia à do capital.

O que tem se percebido nos últimos anos é um aumento na produção e uso de produtos com a perspectiva do Copyleft, principalmente na comunicação, onde tal pensamento conduziu à possibilidade de outras visões como o Jornalismo Open Source e colaborativo.

Embora o
Jornalismo Open e colaborativo sejam mal-vistos por alguns profissionais da comunicação, essas ferramentas, inevitavelmente, têm demonstrado que são fundamentais ao futuro jornalista, na medida em que aumenta a possibilidade de canais de captação de realidade.

Captar segundo definições teóricas do sacerdócio jornalístico, é uma das funções básicas, sendo está uma das etapas de produção jornalística, seguida, da interpretação e transformação da realidade captada em um produto comunicacional (reportagem noticia, entre outros).